Minhas primeiras astrofotos

Ano passado resolvi aprender a fazer astrofotografias.

Um pequeno telescópio Maksutov-Cassegrain de 90mm, uma montagem altazimutal computadorizada, uma simples webcam (marca Multilaser), um notebook e um software para astronomia foram as ferramentas utilizadas para fazer as minhas primeiras fotos.

Com um telescópio deste porte (pequeno) é possível visualizar astros do sistema solar e estrelas binárias.

Resumindo o processo: localizar o astro no céu, focalizar o astro no telescópio, conectar a webcam ao telescópio, gravar um vídeo do astro com a webcam, e depois processar o vídeo, utilizando a técnica de empilhamento, com softwares específicos para este fim (ex. Registax).

O resultado das minhas primeiras tentativas estão abaixo:

Lua

Lua_20140612_0229_26b

Lua01

Marte

Marte_2014_07_01_001

Saturno

Saturno_2014_04_15_001

Conseguir uma foto do planeta Saturno foi o impulso para continuar me aprimorando nessa área.

As maiores dificuldades que enfrentei neste início, foram as seguintes:

Conectar a webcam ao telescópio
Eu não tinha um adaptador adequado, então fixava a webcam com fita adesiva, de forma a expor o foco do telescópio diretamente no sensor da webcam (a lente original da webcam teve que ser removida e o sensor ficar exposto). Essa técnica se chama foco direto. Existem outras técnicas que até tentei utilizar, mas não tive sucesso.

O problema é que no momento que fixava a webcam, perdia o astro do campo de visão. As vezes pela demora em fixar, as vezes por fixar de forma errada e as vezes por movimentar o telescópio sem querer. Até encontrar o astro novamente poderia levar vários minutos.

Com essa dificuldade aprendi algumas coisas que me foram úteis depois.

Quanto maior o aumento (distância focal do telescópio) menor é o tempo que o astro permanecerá no campo de visão. Por exemplo, com o telescópio apontado para a Lua, o astro não chega a ficar um minuto no campo de visão do telescópio. Com o uso de uma barlow (acessório que aumenta a distância focal e consequentemente aumenta a imagem no telescópio), o tempo pode ser poucos segundos.

Também descobri que quanto menor o sensor da câmera, menos campo de visão consigo captar, consequentemente, menos tempo o objeto ficará no meu campo de visão.

Para o astro permanecer no campo de visão do telescópio, deve-se ter uma montagem com motorização para acompanhamento dos astros no céu. Mas apenas isso não resolve o problema. Motivo? minha próxima dificuldade.

Alinhar a montagem para um bom acompanhamento

Essa é a parte mais chata. Para que a motorização consiga acompanhar os astros no céu, é importante fazer um bom alinhamento da montagem com um pólo celeste.

Como encontrar o pólo sul celeste para apontar o telescópio para a fase de alinhamento? Existem várias técnicas, algumas bastante complexas. A mais fácil é pegar uma bussola (que aponta para o pólo sul magnético), fazer uma correção chamada declinação, e encontrar o pólo sul celeste. Mas isso é extremamente impreciso, as vezes tão impreciso que o acompanhamento simplesmente não funciona. As vezes perdia metade da noite só tentando alinhar decentemente o telescópio, as vezes até cansava e ia dormir.

Como todas as dificuldades, acabei aprendendo um monte de coisas legais com essa.

Podemos classificar astrofotografias basicamente em 2 campos. Objetos do sistema solar, e objetos de céu profundo (nebulosas, galáxias, aglomerados, etc…). Os equipamentos utilizados para cada um desses campos são diferentes.

A montagem com acompanhamento e o alinhamento preciso é importante para fotografias de objetos de céu profundo onde são necessárias fotos em longa exposição e o astro não pode se mexer nenhum pentelhesimo senão estraga a foto. Para fotografia planetária, a montagem também é importante, mas o acompanhamento não precisa ser tão preciso. Como os objetos planetários são mais brilhantes, é possível gravar vários frames (fotos) por segundo (em formato de vídeo), depois processar esses frames num software que alinha o objeto e empilha os diversos frames formando uma imagem final de melhor qualidade do que os frames individuais.

Agora o tipo de câmera utilizada para um tipo ou outro são diferentes. Nos próximos posts vou falar um pouco sobre isso.

Existe um terceiro campo que eu poderia chamar de Landscape, são fotos de astros feitas com um grande campo de visão, por exemplo fotografia da via láctea ou de uma chuva de meteoros. Também são fotografias muito bonitas e estou começando a fazer algo neste campo também.

Processamento dos frames

Escolhi o Registax. Tive que estudar um bocado as funcionalidades do software para entender como funciona. Futuramente quero fazer um post sobre o uso dos softwares de processamento.

Ficam essas dicas iniciais. Aos poucos vou colocando novas dicas aqui.

Até mais.

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